Estava um calor infernal nas ruas da cidade, como se o sol resolvesse castigar quem ousasse circular em seu horário de almoço, e, devo confessar que no lado de dentro dos estabelecimentos comerciais as coisas não eram melhores.
- Cuidado para não derrubar as moedas! – alertou meu pai quando me entregou certa quantia de dinheiro junto a um papel, creio eu que fosse uma duplicata, e se acomodou no banco do motorista. – Vê se anda rápido! – ele disse como se fazer um pagamento em uma lotérica dependesse exclusivamente de mim.
Corrigindo: em uma lotérica lotada.
Eu era acostumada a fazer pagamentos em bancos, lotéricas, não por ter idade suficiente para se portar como um adulto, mas sim por minha sorte. Geralmente eu sempre gastava cinco minutos dentro de um banco, e nunca enfrentei uma fila com mais de cinco pessoas, pelo menos não até hoje.
- Ótimo – murmurei para mim mesma, e torci para que, do lugar que meu pai estacionou o carro e se acomodou para contar os minutos, estivesse na sombra.
Não sei bem, mas provavelmente umas trinta pessoas estavam na minha frente, e até mesmo a fila especial para gestantes, idosos e deficientes estava cheia. O jeito era esperar. Agora você some essa minha espera com um calor escaldante, uma fila imensa, uma cabeça quase explodindo por conta de um maldito simulado feito na escola e uma velha que estava atrás de mim e que não parava de reclamar. A caixa lotérica estava lotada, talvez fosse porque era hora de almoço, segunda-feira e véspera de feriado – feriado esse que eu nunca soube o motivo – ou ainda porque meus dias de sorte se expiraram.
[...]
Nenhum comentário:
Postar um comentário