Temos tão pouco tempo de vida, cem anos, no máximo. Deveríamos aproveitar cada segundo de nossas vidas, cada oportunidade, cada chance. Algumas pessoas realmente aproveitam, sabem lutar com garra e perseverança por aquilo que almejam, saem do casulo e voam sem medo, para brilharem no palco da vida. Outras, não se dão nem a chance de se conhecerem, prefere serem personagens secundarias à protagonistas de suas próprias histórias.
O egoísmo da sociedade é apavorante, pois ela nos sujeita a suas ambições mais imundas e nos molda a seu favor. Sobrecarrega e impõe regras ao ser humano, deixando-o com uma aparência mais de máquina do que de um ser vivo. Com uma rotina padronizada, ele acaba extinguindo hábitos, enterrando desejos, sepultando sonhos, tudo isso para satisfazer um sistema pobre e doente. Esse indivíduo que foi massacrado e escravizado por essa ditadura social, aprendeu a ser forte aos olhos de terceiros, mas tornou-se fraco e indefeso por dentro, a ponto de abrir mão de sua liberdade existencial e reprimir seus sentimentos mais verdadeiros.
As pessoas andam mascaradas, receosas em agradar desconhecidos e a serem tidas como ‘normais’ pela sociedade. Elas esqueceram que ser normal significa ser original, autentico, e passaram a ser uma cópia a mais encontrada nos camelôs da esquina. E apesar de terem a capacidade de desenvolver um senso critico, essas pessoas deixaram-se controlar pela opinião estranha. A verdade é que estamos mais preocupados em agradar os outros do que satisfazer nossas vontades, nossos sonhos, e, talvez, por conta disso, muitas pessoas recorram a disfarces como forma de sobrevivência.
Analisamos bem essa dissimulação na obra Hamlet, de William Shakespeare, pois percebemos que durante todo o desenrolar da historia, todas as ações tomadas pelos personagens não são necessariamente aquilo que eles tomariam por vontade própria, mas sim, o que ao julgamento de terceiros seja o ideal a ser feito. Manipulados e dependentes, os personagens de Shakespeare se mostram unanimes, presos ao consentimento alheio e encarcerados nas grades da opinião pública.
O interessante é que todos os seus personagens, apesar de terem sido criados há séculos atrás, apresentam um perfil muito similar aos das pessoas atuais, as quais, semelhantes a parasitas, dependem dos outros para tomar suas decisões.
Shakespeare quis retratar – e retratou muito bem – os conflitos internos do ser humano, as emoções subterradas, as vontades reprimidas e as conseqüências desencadeadas por traumas e assuntos não resolvidos. Hamlet, o personagem principal, ressalta exatamente esses conflitos, essas dúvidas e essa busca pela justificativa do que é certo e do que é errado. A falta de confiança e o ódio da incompreensibilidade alheia levam-no ao fingimento de uma loucura, um delírio adolescente, mas que no fundo transmite a verdade que estava engasgada em seu interior, que gritava por atenção, mas que, no entanto tinha medo de assumir sua postura.
Infelizmente, as pessoas são ausentes de atitudes.
A loucura parece ser o refugio perfeito para os que não querem encarar a vida como ela realmente é, para aqueles que se auto-enganam e que se auto-iludem. Decorar uma fala e incorporar um personagem para ser melhor do que viver a história. No entanto, as aparências fragilizam-se com o tempo e chega uma hora que você tem que decidir se quer sair da platéia e correr o risco que a vida oferece, ou se quer continuar sendo um mero expectador, que no máximo desempenhará o papel de um personagem coadjuvante, sem importância nenhuma para o curso da existência humana.
(MEU ARTIGO DE FILOSOFIA - JUNHO)
Não tenho nada de especial, disso estou certa. Sou apenas mais uma pessoa tentando ser normal nesse mundo tão insano.
domingo, 3 de julho de 2011
A brisa serena do anoitecer
[...] E sempre antes de dormir eu olhava a noite.
Gostava de sua quietude e da paz que sua brisa serena imitiam sobre mim.
- Boa noite, Noite! - eu falava antes de dormir.
Gostava de sua quietude e da paz que sua brisa serena imitiam sobre mim.
- Boa noite, Noite! - eu falava antes de dormir.
O anseio humano
Tantas lutas e reivindicações foram feitas antes do homem consegui essa liberdade, e, no entanto ele a recusa por simples medo de arriscar e confiar em seus sonhos.
A autonomia do verdadeiro Eu
Se na vida todas as escolhas fossem pacíficas e dóceis, na qual ninguém precisasse chorar pelas injustiças e pelos tormentos de um amor desprezado, talvez, apenas talvez, o homem não precisasse viver em dois mundos ao mesmo tempo. E quem sabe, ele pudesse, assim, assumir a autonomia de escolha que lhe é por direito, sem que seja imposto, sobre ele exigências de uma sociedade ignorante e cruel.
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