Sentada na praça de alimentação de um parque de diversões da sua cidade ao lado de seus pais e irmãs, Nathy forçava-se a bebericar um ou outro gole de refrigerante e se limitava a dizer um sim ou não quando sua mãe oferecia-lhe alguma coisa.
Seu corpo se fazia presente à mesa, mas sua mente vagava pelos recantos mais profundos de sua alma. Ela ficava a observar as pessoas passarem por ela, os casais jovens que provavelmente teriam um futuro promissor, as crianças que passavam saltitantes com os pais, um ou outro idoso, as palavras amáveis ditas por alguns casais de adolescentes... Nesse momento ela se sentiu uma das pessoas mais sós do mundo. Era até loucura se sentir assim, pensou ela, até porque ela tinha tudo: família, amigos, primos, uma vida maravilhosa, mas faltava-lhe algo, algum brilho, algum motivo para estampar o seu verdadeiro sorriso e esbanjar a sua alegria contagiante.
Ela se sentia só. Sentia falta de alguma coisa, de alguém.
Nathy não gostava muito de ficar parada, observando, pois era nesses momentos de quietude que ela fazia uma viagem por dentro de seu interior, vasculhava lembranças, examinava detalhes perdidos no tempo, e se questionava quanto a seu futuro. E quase sempre essa viagem terminava em lágrimas.

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